O Festival de Dança entrou para a agenda cultural de Londrina em 2003. Logo na primeira edição, o evento reuniu mais de 800 bailarinos, 110 coreografias de grupos e companhias, além de vários professores de prestígio nacional. Também integrou outras áreas culturais tais como exposições de artes plásticas, lançamento de livros e CDs na área de dança e até um show com trilhas para coreografias.
O Festival nasceu com a proposta de fazer um intercâmbio entre a produção local de dança com a que é produzida em outras regiões do país. O sucesso da iniciativa acabou dando visibilidade ao evento maior até do que a esperada, o que motivou a organização a aprimorar o formato.
Em 2004, o Festival de Dança de Londrina se integrou às comemorações dos 70 anos da cidade. A Associação homenageou um dos pioneiros da dança na cidade e região, o professor Pascual Benitez, que atuou como mestre de balé clássico, entre as décadas de 60 e 90, sendo um dos precursores desta arte no Paraná.
Novos passos foram dados na direção de propor um novo modelo de Festival, que, gradualmente, mudasse a maneira de fazer e pensar eventos deste tipo, visto que a maioria deles vem, ao longo dos anos, gerando distorções no entendimento da dança como linguagem artística, aproximando perigosamente essa arte das competições esportivas, onde o foco das discussões passa a ser a mensuração da altura da perna ou a quantidade de piruetas executadas pelos bailarinos.
Assim, mesmo trazendo na sua programação uma Mostra Competitiva, o Festival procurou se aproximar mais do conceito de linguagem artística, onde os trabalhos apresentados não são divididos em categorias ou estilos, mas sim em formatos coreográficos, nos quais os elencos devem se considerar aptos à execução de uma determinada obra pela sua competência. Alem disso, o evento sempre buscou a sintonia entre a contemporaneidade e a guarda das tradições acadêmicas.
Já em 2005, o Festival ganhou um novo formato. No lugar da Mostra Competitiva, a organização realizou uma Mostra Estímulo, que premiou companhias escolhidas pelo público e por uma comissão julgadora. Apesar de mais enxuto que as edições anteriores, o evento continuou sendo uma grande oportunidade para bailarinos, professores e coreógrafos interagirem com a forma de trabalho de companhias profissionais e já consagradas no cenário da dança. Workshops, sessões de trabalho e até um talk-show com a renomada bailarina Cecília Kerche foram oferecidos ao público.
Na edição de 2006, o festival repetiu o sucesso dos anos anteriores, caminhando cada vez mais para um formato mais proveitoso para os que fazem dança de uma forma profissional ou amadora, bem como para os apreciadores da arte coreográfica. O evento ganhou credibilidade e passou a ser esperado por dançarinos de todo o país, já que o Festival traz um panorama bem completo do que ocorre na dança no Brasil.
No ano seguinte, em 2007, a novidade da programação ficou por conta da inclusão na programação artística de uma atração internacional com o Grupo Kud Nor, da Eslovênia.
O amadurecimento do Festival levou a organização a promover novas alterações no formato do evento na edição de 2008, abandonando a Mostra Estímulo para atender às características do público londrinense, que prefere assistir a espetáculos de qualidade no lugar de mostras de trabalhos coreográficos.
Assim, a grade de programação passou a ser composta apenas por grupos profissionais convidados, com a intenção de incluir a cidade num roteiro de circulação das grandes companhias brasileiras. Além disso, continuou a apostar na informação com discussões paralelas não só sobre a técnica da dança, mas também sobre formas de trabalho. O evento privilegiou trabalhos contemporâneos, já que a cidade estava tendo acesso a espetáculos de dança clássica no decorrer do ano, trazendo novamente uma atração internacional com a vinda do grupo Tertulia Proyecto Danza, de Santiago, Chile. O Festival também comemorou os 15 anos do Ballet de Londrina, grupo anfitrião e presença certa em todas as edições.
Em 2009, a organização deu mais um passo no sentido de fazer a cidade ‘respirar’ dança. Além das programações artística e didática, foram oferecidos espetáculos e performances coreográficas em palcos alternativos e locais de grande circulação de pessoas. A ideia foi aproximar o público do evento, levando até ele intervenções em espaços abertos. Também foram promovidas discussões em busca de novos caminhos que valorizem e facilitem os eventos de dança no Brasil. A grade foi composta por atividades bastante diversificadas que contemplaram cursos, oficinas, debates, exposições, exibição de vídeos e apresentações de companhias profissionais brasileiras, incluindo novamente atração internacional. A edição do ano passado, com número recorde de companhias interessadas em participar do evento, iluminou ainda mais a dança nos quatro cantos da cidade, trazendo grupos, professores, espetáculos e atividades didáticas que fizeram o público interagir ainda mais com o Festival.
O 9º Festival de Dança de Londrina acontece de 1º a 6 de outubro reunindo no norte do Paraná importantes nomes da cena contemporânea. Quasar Cia de Dança (GO) e Mimulus (MG) são destaques de sua grade artística. A edição 2011 também joga luz sobre as produções locais, apresentando o Ballet de Londrina, companhia que projeta o nome da cidade na dança nacional, além de trabalhos locais de reconhecida qualidade, como Ballet Regina Mundi (Maringá) e pesquisas coreográficas inéditas como as do Ballezinho de Londrina e do Cia L2.
Nestes nove anos, várias companhias de renome nacional, solistas importantes do cenário da dança clássica e professores de calibre internacional, participaram do Festival de Londrina que, a cada edição, crava seu nome na agenda dos grandes eventos de dança do país. |