Festival de Dança traz para Londrina
Jean-Jacques Lemêtre, um dos mestres do Théâtre du Soleil (Foto:
Remi Chapeaublanc)
A luminosa sinfonia do Théâtre du
Soleil
Jean-Jacques Lemêtre, músico da aclamada
companhia francesa, ministra oficina e conferência sobre a musicalidade
do corpo. Atividade é uma extensão didática do 9º Festival de
Dança
Atores, músicos e dançarinos de Londrina terão a oportunidade
única de dividir conhecimentos com um dos nomes mais respeitados
na área de musicalização cênica. Trata-se do compositor, performer
e multi-instrumentista Jean-Jacques Lemêtre - integrante do Théâtre
du Soleil (França) desde 1979. Ele conduz uma oficina na Funcart
(Av. Souza Naves, 2380) nos dias 1, 2 e 3 de novembro, das 18
às 22 horas, e apresenta conferência no dia 3 de novembro, às
14 horas, no Espaço das Artes / Teatro Filo (Rua Cuiabá, 39).
As duas atividades fazem parte da Programação Didática do 9º Festival
de Dança de Londrina.
Ao longo do curso, Lemêtre abordará as relações entre a música
e o teatro a partir de princípios como o “corpo melódico”, o “corpo
harmônico” e o “corpo rítmico”. Esta é uma das bases do Théâtre
du Soleil, reconhecido pelo exímio trabalho coletivo dos artistas.
Em suas criações, a diretora da companhia Ariane Mnouchkine propõe
a perfeita simbiose entre cena e música, como se esta fosse parte
da própria respiração dos atores ou uma expressão onírica do texto.
Para Lemêtre, a música representa um terceiro pulmão do ator.
Na companhia francesa, o performer acompanha o elenco não só ao
longo das criações, mas no próprio ato da encenação.
Durante a oficina, as dinâmicas serão baseadas principalmente
no ritmo, na concentração e na presença cênica dos participantes
por meio de diferentes modalidades de improvisação. Já na conferência,
com duas horas de duração, o músico fará uma exposição teórica
sobre o seu trabalho dentro do Théâtre du Soleil. As vagas para
as duas atividades são limitadas e o critério é a ordem de chegada.
As inscrições podem ser feitas na Funcart (Av. Souza Naves, 2380).
Mais informações pelos telefones 3342-2362 (Funcart), 9924-1127
(Margareth) ou 9932-6888 (Gabriela).
Jean-Jacques Lemêtre é conhecido por criar centenas de instrumentos
musicais e por executar mais de 2800 objetos sonoros. Ele traz
no currículo o cobiçado Prêmio Molière na categoria “música para
teatro” e também compõe trilhas para cinema ao lado de influentes
diretores, como David Lynch. Há 20 anos, Lemêtre reúne gravações
de vozes em mais de 1800 línguas e dialetos; com o registro, ele
pretende compor um grande poema sinfônico.
O Théâtre du Soleil está atualmente no Brasil com o espetáculo
“Os náufragos da louca esperança (Auroras)”, montagem inspirada
em romance póstumo de Júlio Verne. O espetáculo - que tem 4 horas
de duração e grandiosos cenários - narra a história de um grupo
de sobreviventes que desejam fundar uma sociedade mais justa e
igualitária. A turnê brasileira inclui apresentações nas cidades
de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Serviço:
Atividades didáticas do 9º Festival de Dança de Londrina com
Jean-Jacques Lemêtre (Théâtre du Soleil – França):
OFICINA:
Dias: 1, 2 e 3 de novembro
Horário: das 18 às 22 horas
Local da oficina: Funcart (Av. Souza Naves, 2380)
Valor: R$ 150,00 (vagas limitadas)
- Conferência:
Dia: 3 de novembro
Horário: 14 horas
Local: Espaço das Artes / Teatro Filo (R. Cuiabá, 39)
Valor: R$ 5,00* (vagas limitadas)
*Os alunos da oficina não pagam a conferência
Inscrições podem ser feitas antecipadamente na Funcart (Av.
Souza Naves, 2380).
Mais informações pelos telefones:
3342-2362 (Funcart), 9924-1127
(Margareth) ou 9932-6888 (Gabriela).
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
Cia Quasar abriu o Festival de
Dança 2011 com o espetáculo "Tão Próximo". Evento contabiliza
sucesso de público na Programação Artística e Didática (foto:
Isabela Figueiredo)
Um festival que movimenta a cidade
9º Festival de Dança de Londrina aumenta
sua média de público e já planeja as comemorações da 10ª edição
Progressivamente, o Festival de Dança de Londrina conquista o
seu espaço como acontecimento de destaque na agenda cultural do
sul do país e como evento que consolida um público numeroso. Na
edição deste ano, realizada entre 1º e 6 de outubro, pessoas de
Londrina e região lotaram o Teatro Ouro Verde em seis noites dedicadas
à arte do movimento.
Cerca de 3,5 mil pessoas
assistiram aos espetáculos da Programação Artística 2011 (foto: Isabela Figueiredo)
Cerca de 3,5 mil espectadores prestigiaram seis montagens de diferentes
companhias nacionais, além da Mostra Local, com atrações da cidade.
Afora os espetáculos encenados no teatro, uma multidão participou
do lançamento do Festival 2011: um Flash Mob arrastou para o calçadão
de Londrina mais de 300 participantes que, repentinamente, começaram
a dançar.
A rápida coreografia – realizada ao meio-dia de sábado (1º/out)
- surpreendeu os transeuntes e anunciou a maratona de atrações.
Idealizada pelo Centro Social Marista Ir. Acácio, a intervenção
urbana envolveu pessoas de diversas idades e procedências, ligadas
a projetos sócio-culturais ou reunidas por redes sociais da internet.
O efeito surpresa da performance fez o calçadão parar e atentar-se
para a dança implícita nos movimentos cotidianos.
O Flash Mob teve transmissão ao vivo e foi gravado por filmadoras
dispostas em locais estratégicos e pelas câmeras de passantes.
No dia seguinte, sites de compartilhamento de vídeo traziam imagens
da coreografia a partir dos mais diversos ângulos. Estima-se que
mais de 800 pessoas presenciaram a intervenção.
Aplausos mais que calorosos fecharam cada uma das noites de apresentações
no Teatro Ouro Verde. A Quasar Cia de Dança, de Goiás, abrilhantou
mais uma vez a abertura do Festival de Dança de Londrina com a
última criação do coreógrafo Henrique Rodovalho. O espetáculo
“Tão Próximo” trouxe a técnica da fisicalidade e uma dramaturgia
corporal primorosa para questionar as nuances que envolvem a relação
com o próximo. Em um palco recoberto por uma pelúcia branca, os
bailarinos deram mostras de força e interpretação em formações
coreográficas que remetiam ao abismo de possibilidades de quando
se invade o espaço íntimo do outro.
No dia 4, o público recebeu com entusiasmo o premiado “Por um
Fio”, da Mimulus Cia de Dança. O grupo mineiro, reconhecido por
transmutar a dança de salão a partir de elementos contemporâneos,
apresentou um espetáculo complexo, inspirado na obra, na história
e na ideologia do artista plástico Arthur Bispo do Rosário. Dirigido
por Jomar Mesquita, o elenco concebeu uma coreografia repleta
de movimentações sinuosas; braços, pernas e corpos compunham,
junto do cenário e dos figurinos, uma só trama que lembrava os
bordados e “inventários do mundo” concebidos por Bispo. Fios com
lâmpadas incandescentes e linhas de costura dançaram junto dos
bailarinos e envolveram a plateia neste universo fascinante. Só
para a montagem da cenografia, a produção do Festival demandou
dez horas.
Os espectadores também compareceram massivamente no Teatro Ouro
Verde para conferir o trabalho da companhia londrinense que é
uma das referências nacionais em dança contemporânea. O Ballet
de Londrina encerrou o Festival, no dia 6, com “A Sagração da
Primavera”, releitura de Leonardo Ramos para a obra centenária
de Stravinsky e Nijinsky. Pelo viés da dor e da crueldade, a montagem
atualiza a história da virgem oferecida aos deuses da terra. A
tensão, que se instaura desde o início do espetáculo, desmanchou-se
em seguidos minutos de aplauso.
Outros grupos de Londrina e região incluídos na grade artística
do Festival de Dança 2011 surpreenderam pela qualidade dos trabalhos,
pelo rigor técnico e pela pesquisa em novas linguagens. Exemplo
maior foi “Dom Quixote Flamenco”, do maringaense Ballet Regina
Mundi. A montagem, protagonizada por Michel Cássin, trouxe à cidade
toda a força e beleza da dança espanhola para relatar a história
de um amor impossível. “Dom Quixote Flamenco” contou com mais
de 30 bailarinos em cena, além de sofisticados figurinos e cenários.
O espetáculo registrou uma das maiores bilheterias do Festival.
“Temos percebido um aumento de público. Nos anos anteriores, as
pessoas compareciam principalmente em companhias mais conhecidas;
este ano, o público esteve presente do início ao fim. Mantivemos
a média, e isto é ótimo para as pessoas conhecerem um pouco de
cada linguagem que trouxemos ao longo destes seis dias de Festival”,
afirma a coordenadora geral Danieli Pereira.
Na quarta-feira (5/out.), foi a vez de duas companhias da cidade
exibirem o resultado de suas pesquisas sobre expressividade corporal
na dança contemporânea: Ballezinho de Londrina, da FUNCART, e
Cia L2, ligada à Universidade Estadual de Londrina. “Móbile –
Work in Progress”, montagem da primeira, fascinou o público ao
colocar em cena formações resultantes do movimento de braços,
mãos e dedos. A técnica, chamada finger tutting, é originária
da dança de rua e, no trabalho do Ballezinho, conjuga-se com experiências
acumuladas no ballet clássico. Já “Viés”, da última, busca na
dança elementos de aprimoramento da presença de atores em cena,
pensando a arte como caminho enviesado diante da normalidade da
vida.
Cia Cristal foi uma das
atrações da Mostra Local 2011. Festival reafirma-se como
vitrine para trabalhos de Londrina e região (foto: Isabela
Figueiredo)
Na noite de 3 de outubro, o Festival de Dança realizou a Mostra
Local 2011 – tradicional espaço reservado pelo evento para que
bailarinos, companhias e/ou instituições de Londrina mostrem suas
criações. Ao todo, nove grupos exibiram doze coreografias.
O resultado foi um mosaico de estilos e linguagens que refletem
as práticas de estudantes e profissionais da cena local. A dança
de salão e o ballet clássico dominaram a maioria das apresentações,
mas também puderam ser vistos trabalhos de hip hop, dança contemporânea
e experimentos cênicos ligados ao teatro. Cada grupo levou para
a plateia do teatro verdadeiras torcidas organizadas que agitaram
a Mostra.
“O sucesso de público desta edição se deve a um trabalho anterior,
de muitos anos. Lutamos muito para chegar neste patamar de trabalhos
com diversidade e qualidade. Provamos, para nós mesmos, que é
viável – a prova é o comparecimento das pessoas nos espetáculos
e a procura por cursos”, opina Cláudio de Souza, coordenador geral
do evento.
Programação didática – Paralelamente à grade artística, o 9º Festival
de Dança de Londrina ofereceu ao público uma série de atividades
formativas. Foram cinco oficinas em diferentes vertentes da dança
e um ciclo de seminários teóricos. Ao todo, cerca de 130 pessoas
frequentaram os workshops e partilharam experiências com reconhecidos
profissionais.
Betty Gervitz, de São Paulo, ministrou aulas de danças étnicas,
passando por manifestações corporais de várias culturas do mundo.
Dudude Hermann, de Minas Gerais, ensinou processos de criação
e composição de movimentos no contexto contemporâneo. Alexandre
Snoop, um dos grandes nomes da dança de rua em São Paulo, partilhou
conhecimentos sobre os passos do street dance e a ideologia transformadora
desta arte. O maringaense Michel Cássin, que também integrou o
elenco do espetáculo “Dom Quixote Flamenco”, apresentou aos alunos
toda a potência do ritmo espanhol.
Oficina de ballet clássico
integrou a Programação Didática, que trouxe a Londrina importantes
professores de diferentes vertentes da dança
Para a oficina de ballet clássico – uma das mais procuradas -,
o Festival de Dança trouxe a Londrina Carla Reinecke, de Curitiba.
Carla já dirigiu o Balé Teatro Guaíra e é professora e criadora
do Curso Superior de Dança da Faculdade de Artes do Paraná. O
mini-curso de clássico atendeu principalmente alunos de várias
escolas da cidade que querem aperfeiçoar conhecimentos.
De 3 a 6 de outubro, o Festival também ofereceu uma série de palestras
sobre grandes encenadores em dança do século XX. Os seminários,
ministrados por pesquisadores da UEL, jogaram luz sobre princípios
técnicos da dança moderna e contemporânea, passando por criadores
como Kurt Joos, Martha Graham, David Parsons e Steve Paxton. A
atividade aconteceu na biblioteca da Escola Municipal de Dança.
10ª edição – O Festival de Dança de Londrina comemora, em 2012,
sua 10ª edição. O evento conquista, ano após ano, um público cada
vez mais numeroso e, apesar de sua juventude, já apresenta diretrizes
bem consolidadas: a diversidade na seleção de espetáculos, o enfoque
nas produções locais e a preocupação em proporcionar para estudantes
e profissionais de dança uma grade didática de qualidade.
Estas metas reafirmam-se no Festival do ano que vem. De acordo
com os coordenadores, a intenção é ampliar a duração do evento
para dez dias e trazer para a cidade mais espetáculos de rua.
Outro objetivo é voltar a abrir inscrições para companhias nacionais
interessadas em apresentar suas criações em Londrina. Este ano,
a seletiva não ocorreu pela limitação financeira, que exigiu um
formato mais reduzido do evento.
Os trabalhos londrinenses vistos ao longo desta 9ª edição forneceram
à curadoria um panorama da produção local. O Festival pensa em
selecionar um dos grupos e estimular a elaboração de um espetáculo
para estrear na próxima programação artística.
Para 2012 também estão previstas outras atividades como uma exposição
fotográfica sobre a história do Festival de Dança e um concurso
para eleger sua logomarca definitiva. Os organizadores pretendem
ainda aproveitar as festividades para promover um seminário sobre
políticas públicas, trazendo para a cidade importantes nomes da
área com o objetivo de discutir o fomento em arte e cultura.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
O encerramento do Festival acontece
com a companhia que projeta o nome da cidade em nível internacional
– o Ballet de Londrina, com “A Sagração da Primavera” (Foto: Isabela
Figueiredo)
Velhas diretrizes em tempos de guerra
Ballet de Londrina encerra Festival de Dança
2011 com “A Sagração da Primavera”. Companhia, que é considerada
uma das referências em dança no sul do Brasil, planeja primeira
turnê europeia
Histórias de extrema crueldade podem ser contadas sem que se tinja
a cena com holofotes vermelhos. O signo da brutalidade é da cor
dos homens e da natureza no interminável ciclo que consome tudo
o que é frágil, individual e delicado em prol da força coletiva.
O Ballet de Londrina apropria-se destes temas para reler, cem
anos depois, “A Sagração da Primavera” - obra de Stravinsky e
Nijinsky que escancarou as portas do século XX para a modernidade.
O espetáculo, um dos mais agressivos e pungentes da companhia
londrinense, encerra o 9º Festival de Dança nesta quinta (6/out),
às 20 horas, no Teatro Ouro Verde.
“A Sagração da Primavera” dá continuidade à pesquisa do coreógrafo
Leonardo Ramos sobre a exploração da horizontalidade e de novos
eixos de apoio na locomoção dos bailarinos – característica que
já ganhou status de ‘linguagem’ dentro de sua obra e da companhia.
“Eu descobri há alguns anos que quando coloco o elenco em pé eu
sou convencional. No solo eu consegui expor algo que é novidade
até para mim”, afirma Ramos. Outro atributo que se consolida na
nova montagem é a utilização de uma obra inspiradora para uma
criação coreográfica original - procedimento de sucesso desde
Decalque (2007), concebido a partir do roteiro de Romeu e Julieta.
Desta vez, o empreendimento é ainda mais ambicioso. A companhia
londrinense propõe uma leitura contemporânea para “A Sagração
da Primavera”, considerada a primeira obra de vanguarda que fundou
o conceito de modernidade. Baseada em uma antiga lenda russa,
a peça narra a imolação de uma virgem, oferendada aos deuses da
primavera em troca da fertilidade da terra. A jovem eleita dança
freneticamente até a morte.
As inovações da obra original, de 1913, estavam na forma de apresentar
o ritual pagão ao público. A música composta por Stravinsky destacava
o ritmo e a percussão. Seu andamento era assimétrico e complexo,
com acentos perturbantes. Na dança, Nijinsky igualmente inovava
ao introduzir tremores, espasmos e contorções. Tudo parecia espelhar
o espírito da barbárie e do primitivismo.
Na montagem do Ballet de Londrina, Leonardo Ramos optou por uma
versão não orquestrada da partitura. Ela é executada, em áudio,
por quatro pianos, que fazem o papel de todos os outros instrumentos.
O cataclismo sonoro que brota do timbre pianístico, porém, logo
encontra complementação na percussão dos corpos em choque com
o tablado ou no sopro ofegante da respiração dos bailarinos.
Desde a primeira cena, o que se vê é um embate cego entre forças
rivais, um movimento frenético e devastador que elege algozes
para subjugar vítimas inofensivas, um confronto sem perdão que
sufoca os raros lapsos de lirismo. Para tanto, o elenco desdobra-se
em formações - ora individuais, ora coletivas; ora sincrônicas,
ora tenazmente díspares - que ocupam principalmente os planos
médio e baixo. A conjugação de corpos estendidos horizontalmente
faz lembrar a geografia da natureza em constante transformação
e em feroz avanço sobre si mesma. Há a dominância de quedas e
lutas corporais, sem que para isso os bailarinos precisem elevar-se
do solo em grande medida.
Nas formações, há clara ambivalência entre o masculino e o feminino.
O confronto entre animus e anima chega a cabo pela devoração desta
por aquele, num nítido exemplar do furioso desejo da natureza
frente à sedução de uma virgem. Leonardo Ramos amplifica o significado
da feminilidade, dedicando sua versão da Sagração às mulheres,
como “símbolo de todas as minorias”.
A montagem do Ballet de Londrina parece desenhar-se em linhas
rígidas e monocromáticas. O figurino em tons de nude cobre os
dançarinos para mostrá-los. Estes homens primordiais, vestidos
pela nudez de suas próprias peles, movem-se num palco vazio, recoberto
apenas pelo linóleo em tons terrosos. Tais elementos (ou ausências)
evidenciam o primitivismo e a universalidade do tema. As cenas
do palco são duplicadas e invertidas pela colocação de espelhos
na parte alta. “Não é um cenário, mas uma maneira funcional de
auxiliar a plateia a ver certos momentos do espetáculo, que está
muito grudado ao chão”, explica Leonardo Ramos.
A economia nos aspectos figurativos, entretanto, é compensada
pela explosão simbólica da movimentação coreográfica. A dança
parece contar, por si só, a história de crueldade, ao passo que
propõe uma linguagem própria para narrá-la. “A minha idéia nos
últimos dez anos é que eu não use mais nada afora a dança; continuo
acreditando que ela é capaz. Este é talvez o trabalho em que eu
tenha tido mais oportunidade de ter cuidado com cada momento da
coreografia”, reforça.
Na alvorecer de um novo século, a companhia londrinense parece
trazer inédita reflexão sobre o papel do homem nesse labirinto
perverso que o conduz rumo à finitude. Nas palavras do coreógrafo,
“o mundo continua muito primitivo e cercado de horrores; no momento
em que a gente se volta cada vez mais para fora, num contexto
cada vez mais tecnológico, temos de buscar, através da arte, um
‘para dentro’, uma investigação do ser humano”. Prova de que já
são outras flores – mais espinhosas - que garantem a eterna renovação
da primavera.
Turnê internacional - “A Sagração da Primavera” estreou na abertura
do Festival Internacional de Londrina (FILO) deste ano. Em julho
e agosto, cumpriu três finais de semana de temporada na cidade
com plateias praticamente cheias. O espetáculo já percorreu cidades
do Paraná e de Minas Gerais e, ainda no mês de outubro, integra
a programação do aclamado Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, reaberto
recentemente após restauração.
Após 18 anos de trajetória, o Ballet de Londrina dá um passo importante
no reconhecimento do seu trabalho: realiza a primeira turnê europeia,
em março de 2012, com o espetáculo “Para acordar os homens e adormecer
as crianças” (2009). A companhia já tem apresentações agendadas
em cidades da França.
Serviço: Encerramento do Festiva
A Sagração da Primavera (Ballet de Londrina)
6/out. (quinta-feiral
20h, Teatro Ouro Verde, 50 minutos
Ingressos: R$10 e R$5 (meia-entrada)
Promoção – Os 100 primeiros convites ganham uma cortesia
Pontos de venda: Escola Municipal de Dança (Rua Souza Naves,
2380 – 3342-2362), Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 loja 3
- 3323-4717) e Loja Capézio (Rua Paranaguá 921 loja, 3 - 3324-6905).
Os ingressos também serão vendidos no Teatro Ouro Verde, a partir
das 19 horas.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
Oficina de Dança
de Rua ministrada por Alexandre Snoop (Foto: Renato Forin Jr.)
Bom da cabeça, melhor do pé
Programação Didática inclui oficinas em diversas
vertentes da dança e um ciclo de seminários. Inscrições continuam
abertas até segunda (3/out.)
Além de trazer para a cidade renomadas companhias, o Festival
de Dança 2011 oferece uma relação de cursos e palestras. Os interessados
pela Programação Didática do Festival podem inscrever-se por meio
de ficha disponível
aqui. As vagas são limitadas.
Este ano, são disponibilizadas seis oficinas que passam por diferentes
estilos de dança - do clássico às modalidades contemporâneas -,
e um ciclo de seminários sobre coreógrafos do século XX. As atividade
acontecem de 3 a 6 de outubro e tem como ministrantes artistas
de destaque na cena nacional.
A lista de oficinas inclui Ballet Clássico (por Carla Reinecke
– PR); Danças Étnicas (por Betty Gervitz – SP); Dança de Rua (por
Alexandre Snoop – SP); Dança Contemporânea (por Dudude Hermann
– MG); Dança Flamenca (por Michel Cássin – PR) e Composição Coreográfica
para Ballet Clássico (por Roberto Oliveira – RJ).
Sob a coordenação do professor Aguinaldo de Souza (UEL), o ciclo
de seminários traz como tema “Princípios técnicos da dança moderna
e contemporânea: origens e fundamentos”. As aulas expositivas
abordam os principais criadores da arte no século passado: de
Laban a Pina Baush (por Monica Cristina Bernardes); Martha Graham
(por Aguinaldo de Souza), David Parsons e Steve Paxton (por Fábio
Pimenta e Antônio Rodrigues) e Ohad Naharin, situado entre tendências
contemporâneas (por Luiza Beloti). Todos os palestrantes são pesquisadores
ligados à Universidade Estadual de Londrina.
Cada uma das atividades tem capacidade para 30 participantes,
além de 10 vagas para ouvintes (à exceção dos seminários, que
não receberão inscrições nesta modalidade). Como as inscrições
foram abertas em meados de setembro, parte dos lugares estão preenchidos.
Já estão esgotadas as vagas para o workshop de Carla Reinecke
sobre Ballet Clássico.
O investimento em cada curso ou no ciclo de palestras é de R$
30,00 para participantes e R$ 10,00 para ouvintes, com valores
diferenciados para os inscritos que optarem por mais de uma oficina
(dois cursos - R$ 50,00; três cursos - R$ 60,00; quatro cursos
- R$ 80,00). Alunos da Funcart (Fundação Cultura Artística de
Londrina) pagam metade destes valores.
As inscrições podem ser feitas também pessoalmente, na sede do
Festival de Dança de Londrina (Rua Senador Souza Naves, 2380).
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
Alunos da Escola Municipal de
Dança da Zona Norte - exemplos de garra e dedicação na Mostra
Local 2011 (Foto: Isabela Figueiredo)
A Bahia está viva ainda aqui
Alunos da Escola Municipal de Dança da Zona
Norte apresentam trabalho de destaque na Mostra Local 2011 e despontam
como promissores talentos desta arte
A luz vermelha banhava o palco de paixão quando os 14 bailarinos
da Escola Municipal de Dança da Zona Norte rasgaram, num repente,
a cena. Corpos preparados, postura que denuncia os anos de formação
em ballet clássico, concentração digna dos grandes artistas. As
dançarinas, distribuídas em pé pelo tablado, caem, uma a uma,
quando tocadas pela figura masculina. A imagem é o quadro de abertura
da apresentação “Fragmentos do Espetáculo ‘Modupé’”, que integrou
a Mostra Local do Festival de Dança de Londrina 2011 na segunda
(3/out).
O tablado do Teatro Ouro Verde ganhou vida a partir das formações
contemporâneas da coreografia concebida pelo professor Alexandro
Micale. Vestido de preto, com detalhes em vermelho nos braços
e olhos, o elenco desdobrou-se em formações dinâmicas para contar
as histórias, costumes, tradições e ritmos do povo baiano – nascedouro
primeiro do Brasil. A música de atabaques, do berimbau e do pandeiro
integrava-se ao som de vozes, de gramelôs, da limpidez líquida
de Marisa Monte.
“Eu queria trabalhar elementos relacionados à minha história –
sobre fé, religiosidade, formas de se mexer, de viver, de acordar.
Eu gosto muito de tudo o que é brasileiro, da nossa ginga, do
nosso jeito de dançar, que não tem em nenhum outro lugar. Quero
falar o que tem de africano na gente, nessa miscigenação. Os alunos
também se encantaram com essa idéia”, explica Alexandro Micale.
Do início ao fim, o que se vê é a potência e o talento dos jovens
ao desenvolver uma coreografia dinâmica, ritualística, que dispensa
os velhos lugares-comuns da brasilidade para uma elaboração elegante,
abstrata, comparável a boas e conceituadas pesquisas em dança.
O que surpreende é a disponibilidade dos alunos e do coreógrafo,
que começou a realizar o trabalho voluntariamente, nos finais
da aula de ballet clássico, para explorar outras possibilidades
de movimento. O grupo empolgou-se e passou a demandar mais tempo;
os passos ganharam forma de coreografia e tornaram-se espetáculo.
A versão integral de “Modupé” deve estrear em breve, tão logo
o grupo consiga financiar – de maneira independente – a montagem.
“Os bailarinos são muito disponíveis. Sábado, domingo, feriado,
eles encaram o desafio, dão realmente o sangue porque é uma grande
oportunidade. Os pais, mães e amigos são fundamentais para que
o espaço da escola esteja em pé. Eles fazem promoções, participam
do trabalho com projetos, com idéias”, destaca Micale.
Segundo o professor, o debate sobre temas delicados presentes
na montagem, como aspectos das religiões afro-brasileiras, são
frutíferos e tem grande recepção junto aos alunos. “No máximo,
a arte tem conceito – não, preconceito”, pontua.
A palavra “Modupe”, na língua yorubá, significa “muito obrigado”.
A gratidão manifesta-se em vários níveis: gratidão aos deuses
que animaram os elementos naturais para fazer nascer a vida; gratidão
ao diretor e aos pais, que investem grandes esforços para a manutenção
do projeto; gratidão a quem lhes dá a oportunidade de reinventar
a própria existência por meio da arte. Palavra bem adequada também
à satisfação dos alunos da Zona Norte diante dos calorosos aplausos
ao final da apresentação no Festival de Dança de Londrina.
Como convém ao seu propósito, a Mostra Local 2011 lembra que desponta-se
um bom e animador futuro na dança londrinense. Alexandro Micale
já pensa na consolidação de um “Ballet Jovem” da cidade, um sonho
que, se depender do rigor dos alunos, não tardará em realidade.
Renato Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
"Móbile - Work
in Progress" e "Viés" desenvolvem pesquisas inovadoras
em dança contemporânea. (foto: Herikson Souza)
Corpos significantes em cena
“Móbile – Work in Progress” e “Viés”, duas
produções de Londrina, trazem reflexões sobre o potencial do movimento
na construção de linguagens
O 9º Festival de Dança reúne, em sua penúltima noite, dois espetáculos
originados de pesquisas cênicas em dança contemporânea realizadas
em instituições de ensino da cidade. Da Escola Municipal de Dança,
o Ballezinho de Londrina apresenta “Móbile – Work in Progress”;
já “Viés” nasceu de um projeto da Universidade Estadual de Londrina.
As duas montagens podem ser conferidas nesta quarta-feira (5),
às 20 horas, no Teatro Ouro Verde.
O palco nu é o não-cenário onde todas as atenções voltam-se para
os corpos e para a capacidade de significação do movimento. Em
“Móbile – Work in Progress”, que abre a noite, cerca de 20 jovens
bailarinos deslocam-se pelo espaço, inventam formações geométricas,
criam aglomerados dinâmicos que lembram a peça que dá nome ao
espetáculo. Em “Viés”, o elenco tenta romper os clichês da movimentação
tradicional, como “o corte enviesado de uma costureira que rompe
a trama de fios horizontais e verticais” – exemplifica o diretor
Aguinaldo de Souza.
“Móbile – Work in Progress” – Um espetáculo sempre aberto a mudanças.
Este é o conceito que motivou o Ballezinho de Londrina a propor
a transformação de “Móbile”, montagem que estreou em 2010, em
um trabalho “work in progress”. “É uma obra de arte que, a cada
momento, sofre alguma alteração que a faz ganhar novos sentidos;
inteligível, mas sem apresentar uma forma definitiva”, explica
o diretor Wagner Rosa.
De acordo com ele, uma característica do Ballezinho de Londrina
é o fato de dançarem em espaços não tradicionais, como locais
públicos, escolas ou ambientes abertos. Isso faz com que, constantemente,
o grupo tenha de reconstruir e transformar cenas de modo a adequá-las
às novas condições. “Móbile é uma peça que possui um eixo central
e justamente esta mobilidade possível sem fugir do mesmo tema”,
diz o diretor.
Basicamente, três pesquisas são evidentes na coreografia do Ballezinho.
A primeira delas é o chamado “finger tutting”, técnica extraída
da dança de rua que usa braços, mãos e dedos para a formação de
estruturas geométricas e que virou febre na internet. A segunda
investigação é o que Wagner Rosa chama de “desarticulação”, conceito
que, opondo-se à postura do ballet clássico, permite que o bailarino
trabalhe com um “abandono controlado do corpo”. Finalmente, há
o predomínio da “horizontalidade”.
Este trabalho surge como acúmulo de experiências e de pesquisas
realizadas pelo Ballezinho de Londrina ao longo do seus treze
anos de existência. Hoje, o grupo mantido pela Escola Municipal
de Dança e coordenado, desde o início, por Wagner, concentra bailarinos
entre 11 e 29 anos - todos com formação em ballet clássico e dispostos,
a partir desta base, a adentrar diferentes universos cênicos.
Depois de passar por linguagens e técnicas como o circo, a encenação
teatral e movimentos folclóricos, o Ballezinho dedica-se às experiências
com o “finger tutting”.
“Móbile – Work in Progress” e “Viés” serão apresentados em sequência,
com um pequeno intervalo. Ao todo, a programação desta quarta-feira
do 9º Festival de Dança de Londrina possui 70 minutos.
Serviço: Móbile - Work in Progress (Ballezinho de Londrina) Viés (Cia L2 – Londrina)
5/out. (quarta-feira) - 20h - Teatro Ouro Verde
70 minutos
Ingressos: R$10 e R$5 (meia-entrada)
Promoção – Os 100 primeiros convites ganham uma cortesia
Pontos de venda: Escola Municipal de Dança (Rua Souza Naves,
2380 – 3342-2362), Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 loja 3
- 3323-4717) e Loja Capézio (Rua Paranaguá 921 loja, 3 - 3324-6905).
Ingressos também estarão à venda no Teatro Ouro Verde a partir
das 19 horas.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
Banda Chernobils agita a galera
na festa de encerramento do Festival 2011
Música para dançar
Festa no Bar Valentino encerra o 9º Festival
de Dança de Londrina e celebra o sucesso da maratona de espetáculos,
cursos e palestras. Show com a banda Chernobils integra o projeto
“Aquece, que quinta não é sexta”, da FUNCART
Após seis dias em que Londrina viveu sob a atmosfera da dança,
o Festival 2011, em parceria com o projeto “Aquece”, promove uma
noite dançante no Bar Valentino (rua Joaquim Nabuco, 20). Quem
comanda o som é a Banda Chernobils, que retorna aos palcos. No
repertório, músicas de seu primeiro disco, novas composições e
releituras de Sonics, Stones e The Clash. Na sequência, os presentes
curtem a discotecagem do DJ Eik Sorgi.
A confraternização reúne bailarinos, profissionais, professores
e estudantes que estiveram ao longo desta semana envolvidos com
o 9º Festival de Dança de Londrina e é aberta ao público. A festa
rola a partir das 22 horas. O couvert custa R$ 5,00.
Serviço: “Aquece” – Festa de encerramento do Festival de Dança de Londrina
6/out. (quinta-feira) - 22h
Bar Valentino (rua Joaquim Nabuco, 20)
Couvert: R$ 5
Assessoria de Imprensa Festival
Ballet de Londrina "A Sagração
da Primavera". Ingressos já estão à venda. (Foto: Guto Muniz)
Ingressos - Compre um, leve dois!
Bilheteria do Festival já está aberta. Compre
seus convites antecipadamente e participe da promoção
Este ano, o Festival de Dança de Londrina preparou uma surpresa
para o público. Os 100 primeiros ingressos vendidos para cada
espetáculo levarão uma cortesia. A promoção é válida para todos
os espetáculos, tanto para inteira (R$ 10) quanto para meia-entrada
(R$ 5).
A iniciativa tem como objetivo lotar as sessões e chamar a atenção
das pessoas para as atrações de qualidade reunidas no Festival.
“Nossa intenção é formar público e atentar Londrina para a oportunidade
única que é assistir a alguns espetáculos que trazemos, elogiados
pela crítica nacional”, explica Cláudio de Souza, coordenador
do evento.
Estudantes, aposentados, doadores de sangue (com carteirinha),
professores da Rede Municipal e Estadual de Ensino, servidores
públicos, profissionais de artes (com DRT), alunos da FUNCART,
associados da APD (Associação dos Profissionais de Dança de Londrina),
clientes e funcionários da Caixa Econômica Federal pagam meia-entrada.
Os ingressos para o 9º Festival de Dança de Londrina já estão
à disposição do público para venda antecipada nos seguintes locais:
Escola Municipal de Dança (Rua Souza Naves, 2380 – 3342-2362),
Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 loja 3 - 3323-4717) e Loja Capézio
(Rua Paranaguá 921 loja, 3 - 3324-6905).
Assessoria de Imprensa Festival
: A estreia de “Viés” é uma das
atrações desta quarta, às 20 horas, no Teatro Ouro Verde (Foto:
Arthur Duarte)
A vida é real e de viés
“Viés”, da Cia L2, coloca em cena questionamentos
fundamentais sobre os atalhos enviesados da arte em meio à normalidade
da vida cotidiana. Montagem será apresentada nesta quarta, junto
do espetáculo “Móbile – Work in Progress”
A Cia L2 pensou em todas as possibilidades de rompimento dos clichês
para elaborar uma coreografia que, além de uma concepção estética,
oferece reflexões existenciais sobre a padronização da própria
vida. A montagem estreia no Festival de Dança 2011 nesta quarta-feira,
após três meses de elaboração e após um ano e meio de pesquisas
sobre o papel da dança na presença cênica do artista. “Viés” é
fruto do projeto “Treinamento técnico e sistematização de processos
do trabalho de ator”, coordenado por Aguinaldo e vinculado à Universidade
Estadual de Londrina.
Ao longo deste tempo, os treze estudantes que compõem o elenco
encararam o desafio de investigar a obra de grandes encenadores
do século XX - como Pina Baush, Kurt Joos, Martha Graham, David
Parsons e Steve Paxton - com o objetivo de entender “na síntese
de teatro e dança, como o ator desenvolve a preparação de sua
presença”. O resultado acabou integrando também, no formato de
um ciclo de seminários, a programação didática do Festival 2011.
O elenco executou ainda exercícios que incluíam não só a reprodução
de partituras corporais, mas também a repetição e desconstrução
das sequencias. A elaboração partiu de perguntas envolvendo a
necessidade da música na dança, a configuração espacial e a associação
do movimento com a palavra. O “viés” aparece como possibilidade
de rompimento da normalidade. “A gente pensou o senso comum, a
vida cotidiana, como tecido - e o nosso pensamento enviesado”,
afirma o diretor.
O que se tem em cena é o enfrentamento dos atores-bailarinos com
a normalidade e banalidade da existência comum. A música desaparece
para deixar ressoar a voz de suas memórias. Em outro momento,
duas trilhas eletrônicas, executadas do palco, confrontam-se.
A voz também surge dizendo frases recolhidas em entrevistas que
alguns integrantes do projeto realizaram com pessoas comuns.
O espetáculo pode ser conferido às 20 horas, no Teatro Ouro Verde,
logo após a apresentação de “Móbile – Work in Progress”.
Serviço: Móbile - Work in Progress (Ballezinho de Londrina) Viés (Cia L2 – Londrina)
5/out. (quarta-feira)
20h
Teatro Ouro Verde
70 minutos
Ingressos: R$10 e R$5 (meia-entrada)
Promoção – Os 100 primeiros convites ganham uma cortesia
Pontos de venda: Escola Municipal de Dança (Rua Souza Naves,
2380 – 3342-2362), Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 loja 3
- 3323-4717) e Loja Capézio (Rua Paranaguá 921 loja, 3 - 3324-6905).
Ingressos também estarão à venda no Teatro Ouro Verde a partir
das 19 horas.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
“Por um Fio”, da Mimulus (MG),
desvenda as tramas de um artista inquieto (foto: Guto Muniz)
Fios que tecem sentimentos
“Por um Fio”, um dos trabalhos mais elogiados
da Mimulus Cia de Dança (MG), traz toda a complexidade do artista
Arthur Bispo do Rosário relida pela dança de salão contemporânea
Um emaranhado de linhas, um amontoado de objetos, palavras bordadas
em retalhos de tecido, lâmpadas incandescentes suspensas por longos
fios. Tudo isso integra os cenários e figurinos da Mimulus Cia
de Dança, de Minas Gerais, no espetáculo “Por um Fio”, que será
apresentado nesta terça-feira (4), às 20 horas, no Teatro Ouro
Verde. A montagem, que integra a programação do 9º Festival de
Dança de Londrina, foi considerada pela crítica o trabalho mais
ousado da companhia, reconhecida pela transformação da dança de
salão a partir da introdução de movimentos contemporâneos.
“Por um Fio” propõe um mergulho na obra do artista plástico Arthur
Bispo do Rosário, que produzia vários objetos e vestimentas com
materiais descartados e com sucata dentro da Colônia Juliano Moreira
(RJ). Bispo do Rosário foi diagnosticado como esquizofrênico-paranóico;
quando as suas peças foram descobertas, porém, ele passou a ser
classificado como precursor de tendências vanguardistas na arte.
O “Manto da Apresentação”, sua obra mais conhecida, deveria ser
vestida por Bispo no dia do Juízo Final, no momento do encontro
com Deus.
De acordo com Jomar Mesquita, diretor de “Por um Fio”, a Mimulus
Cia de Dança resolveu adentrar os labirintos de Bispo do Rosário
pelo desafio que o tema representava. Outro mote é que, o ano
de 2009, quando o espetáculo estreou, marca as celebrações de
100 anos de nascimento e 20 anos de morte do artista.
Como é característico do grupo, o trabalho foi pensado não só
a partir das coreografias, mas também pelo viés da teatralidade,
da cenografia e do figurino, que são igualmente significantes.
“Tudo está interligado. Bispo utilizava os fios que descosturava
dos uniformes, objetos que achava, sucatas, lixo. A gente utiliza
isso no cenário e figurino, não de uma forma decorativa, mas dialogando
com a coreografia”, afirma o diretor Jomar Mesquita.
Na construção coreográfica, oito bailarinos, que também assinam
a criação, perpassam as cenas com movimentos sinuosos. O emaranhado
de braços, pernas e corpos metaforiza a obra inspiradora, as costuras
e tramas dos bordados. Como é típico da linguagem da Mimulus,
os duos predominam.
Em “Por um Fio”, casais utilizam a base da dança de salão, principalmente
o samba, o tango e o zouk. Houve grande emprego também do samba-rock,
gênero que popularizou-se recentemente, mas que esteve restrito
a alguns guetos de São Paulo na déc. 70. “O samba-rock trabalha
muito com movimentos de braços, que são trançados o tempo inteiro,
que se enroscam, que se amarram; isso tem tudo a ver com o universo
do Bispo do Rosário, este universo do emaranhado, do bordado,
do trançado, do embaraçado”, explica Jomar.
O diferencial desta montagem, em comparação com trabalhos anteriores
como “Dolores” - baseado nas trilhas de filmes de Almodóvar e
que esteve no Festival de Dança de Londrina no ano de 2009 -,
é a diminuição da passionalidade, que acaba sendo natural na dança
de salão.
As relações com Bispo do Rosário impediam que esse viés se destacasse,
até pelo entendimento do artista com relações às mulheres – sempre
vistas como virgens, puras, castas. “Foi difícil trabalhar a interpretação
do bailarino, porque tinha essa relação com a esquizofrenia, com
a arte da loucura, com o distanciamento da realidade e, ao mesmo
tempo, o fato de estar dançando com uma pessoa em busca de um
outro tipo de relação, que não esta de homem e mulher, que envolvesse
sensualidade”, lembra o diretor.
A preparação do espetáculo demandou cinco meses de trabalhos coletivos
e contou com a assessoria artística do também mineiro Grupo Galpão
de Teatro. A Mimulus Cia. De Dança circula desde 2009 com “Por
um Fio”. Além de aclamado pelo público e pela crítica, a montagem
recebeu importantes prêmios. Em novembro, o grupo, que já tem
uma trajetória no exterior, leva “Por um Fio” pela primeira vez
para fora do Brasil. Já estão agendadas apresentações na Bélgica
e na França.
Serviço: Por um Fio (Mimulus Cia. de Dança – MG)
4/out. (terça-feira)
20h
Teatro Ouro Verde
60 minutos
Classificação indicativa: livre
Ingressos: R$10 e R$5 (meia-entrada)
Promoção – Os 100 primeiros convites ganham uma cortesia
Pontos de venda: Escola Municipal de Dança (Rua Souza Naves,
2380 – 3342-2362), Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 loja 3
- 3323-4717) e Loja Capézio (Rua Paranaguá, 921, loja 3 - 3324-6905).
Ingressos também serão vendidos no Teatro Ouro Verde, a partir
das 19 horas.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
A trama de amor impossível é
narrada com a energia do ritmo espanhol (Foto: Marcos Oliveira)
Passos do povo de um lugar
Festival de Dança reúne produções de Londrina
na Mostra Local. Espetáculos apresentam um panorama de estilos
que refletem a diversidade contemporânea
Na noite de hoje, o palco do Teatro Ouro Verde transforma-se em
vitrine para trabalhos cênicos produzidos na cidade-sede do Festival.
Serão, ao todo, 12 rápidas coreografias (de, no máximo, 10 minutos)
criadas por nove grupos de Londrina. O resultado é um mosaico
de movimentos e referências - do clássico ao contemporâneo, da
dança de salão ao hip hop. Um conjunto que expressa, em âmbito
londrinense, o efervescente cenário artístico da atualidade. As
apresentações acontecem a partir das 20 horas.
Com a Mostra, o Festival de Dança 2011 reafirma uma meta fundamental
desde a sua criação: dar visibilidade para bailarinos, grupos,
companhias e escolas que pesquisam possibilidades coreográficas.
A intenção é abrir espaço para as provocações e manifestações
estéticas não só relacionadas à dança, mas também prevendo as
confluências dela com outras artes.
É o caso do Centro de Dança Mônica Góis, que integra a Mostra
com duas montagens - “I want to Back” e “Cartas ou Tatuagens”.
Ambas utilizam da teatralidade e promovem a fusão de estilos,
como dança de salão e jazz ou dança clássica e contemporânea.
O Grupo Torso, ligado à Universidade Estadual de Londrina, traz
uma experiência de performance interativa chamada “Sombras”, um
trabalho solo em que a bailarina tem somente partes de seu corpo
iluminado por lanternas.
A beleza do ballet clássico poderá ser vista pelo menos no trabalho
de duas instituições de ensino: Escola Municipal de Dança e Escola
de Dança PGD. A primeira apresenta o “Gran Pas-de-Deux”, do Ballet
O Quebra Nozes; a segunda traz “Espanholas” e “Mazurkas”, as duas
extraídas do clássico Coppélia.
Os ritmos latinos embalam a dança de salão de “Salsa” e “Street
Zouk – Breaking Point”, criadas pela Entrepassos Cia de Dança.
O estilo de salão também está presente em “Amor Eterno”, da Ritt
Escola de Dança. Já o hip hop ganha espaço na performance dos
dançarinos do grupo/projeto “A Rua Dança a Cidade”, o nome da
coreografia é “Apenas Sonhos”.
As danças brasileiras serão representadas por dois grupos. A Cia
Cristal abre a Mostra 2011 apresentando “Quem não dança, samba”.
O trabalho foi desenvolvido por jovens do grupo CEPIAC (Centro
de Produtores Independentes de Arte e Cultura) e envolve a execução
de ritmos de origem africana que vieram a dar no ritmo mais brasileiro.
A Escola Municipal de Dança sediada na Zona Norte preparou um
fragmento do espetáculo “Modupe”. A coreografia - executada ao
som de percussão, de uma trilha do Grupo Corpo e de MPB - reconfigura
estilos nacionais pelo viés contemporâneo para tratar dos costumes
e tradições da Bahia. Estes três últimos trabalhos demonstram
o potencial de projetos sociais em realizar ótimas criações estéticas.
A seleção de coreografias para a Mostra Local foi feita a partir
de inscrições abertas em meados de setembro. Os artistas interessados
submeteram vídeos para a avaliação. De acordo com Cláudio de Souza,
coordenador geral do Festival, a qualidade dos trabalhos tem aumentado
progressivamente. “O próprio formato do Festival, e o que ele
traz, mudou um pouco a perspectiva das pessoas que fazem dança
na cidade. Ainda que ela tenha um tempo curto, há uma preocupação
em elaborar melhor a coreografia, além do cuidado com os figurinos
e com os elementos cênicos”, explica.
A Mostra Local remonta as origens do Festival de Dança de Londrina,
que começou como uma exibição competitiva entre escolas e produtores
da cidade. Os trabalhos eram julgados por professores, que elegiam
os melhores de cada noite. Em 2003, a organização transformou
a competição em Mostra Estímulo, formato em que as criações passavam
pela avaliação de especialistas em dança para que eles, ao invés
de julgar, fizessem sugestões de melhorias não só na parte coreográfica,
mas também em aspectos envolvendo figurino, cenografia, iluminação,
etc. O Festival abandonou a Mostra Estímulo no ano de 2008 para
atender a característica do público londrinense, que prefere assistir
a grandes espetáculos. Desde então, a Mostra Local, inserida na
programação artística, permanece como espaço para as novidades
e pesquisas em dança de artistas de Londrina e região.
Serviço: Mostra Local (Grupos de Londrina)
3/out. (segunda-feira)
20h
Teatro Ouro Verde
60 minutos
Classificação indicativa: livre
Ingressos: R$10 e R$5 (meia-entrada)
Promoção – Os 100 primeiros convites ganham uma cortesia
Pontos de venda: Escola Municipal de Dança (Rua Souza Naves,
2380 – 3342-2362), Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 loja 3
- 3323-4717) e Loja Capézio (Rua Paranaguá, 921, loja 3 - 3324-6905).
Ingressos também serão vendidos no Teatro Ouro Verde, a partir
das 19 horas.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
Cerimônia marca o início do Festival,
que segue, com apresentações diárias, até quinta-feira (Foto:
Isabela Figueiredo / Festival de Dança)
Luzes na ribalta
Autoridades prestigiam a abertura do 9º Festival
de Dança de Londrina. A atração da noite foi o espetáculo “Tão
Próximo”, da Cia Quasar
Um público numeroso compareceu ao Teatro Ouro Verde neste sábado
para dar boas-vindas ao Festival de Dança 2011. A cerimônia, com
a presença de autoridades e patrocinadores, abriu oficialmente
a grade de espetáculos. Subiram ao palco Cláudio de Souza e Danieli
Pereira, responsáveis pela coordenação geral do evento; Leonardo
Ramos, secretário de cultura e presidente de honra do Festival;
Berenice Quinzani Jordão, Reitora em exercício da Universidade
Estadual de Londrina e Olides Mileze Junior, gerente regional
da Caixa Econômica Federal.
Em seu pronunciamento, Cláudio destacou as diretrizes que guiaram
as escolhas do 9º Festival: a qualidade e a diversidade de linguagens
em dança. Também reiterou a preocupação dos organizadores do evento
com seu caráter didático, atraindo professores renomados para
ministrarem cursos. O Festival, ainda, continua com o firme propósito
de servir de vitrine para as pesquisas e produções locais.
O presidente de honra Leonardo Ramos falou em nome da Prefeitura
de Londrina, que, pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura
(PROMIC), é patrocinadora da parte didática. “Todos os governos,
em qualquer esfera, deve - como obrigação, como dever maior -
investir em cultura assim como em saúde, em educação, em assistência.
É a área que forma a nossa sensibilidade”, afirmou o secretário
de cultura.
Olides Mileze Junior foi o representante da Caixa Econômica Federal,
que há 4 anos patrocina o Festival de Dança de Londrina por meio
de seus editais. “Sabemos o esforço para manter a tradição de
um evento desta magnitude que, no ano que vem, completa sua décima
edição - e esperamos também estar patrocinando”, projetou.
A última a discursar foi a reitora em exercício da UEL Berenice
Quinzani Jordão, que salientou a importância de eventos, a exemplo
deste, para a projeção de Londrina como “capital cultural” e “para
que a cidade se orgulhe cada vez mais do potencial e da capacidade
artística que possui”.
Após a cerimônia, a Quasar Cia de Dança, de Goiás, apresentou
o aguardado espetáculo “Tão Próximo”, de Henrique Rodovalho. A
montagem aborda o universo das relações humanas e as diversas
matizes dos sentimentos, que se modificam à medida que as pessoas
aproximam-se e afastam-se. Os prolongados aplausos denunciaram
o contentamento e satisfação do público, que já aguarda as surpresas
dos próximos cinco dias.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
A trama de amor impossível é
narrada com a energia do ritmo espanhol (Foto: Marcos Oliveira)
Outras histórias de Quixote
“Dom Quixote Flamenco” traz para o Festival
de Dança de Londrina, neste domingo, toda a força e elegância
da dança espanhola
O bailarino de flamenco Michel Cássin já é velho conhecido dos
londrinenses. Celebrado pela qualidade de suas montagens e pelo
rigor técnico, Michel integra, desta vez, o elenco do Ballet Regina
Mundi, de Maringá, com “Dom Quixote Flamenco”, atração do 9º Festival
de Dança hoje. O espetáculo será apresentado às 20 horas, no Teatro
Ouro Verde.
A montagem, que estreou em junho deste ano em Maringá, é uma adaptação
do ballet de repertório, assinada por Cássin e por Michele El
Ghezz – dançarina maringaense que morou em Barcelona e já integrou
o Bolshoi. A coreografia utiliza do ballet clássico espanhol na
primeira parte, com movimentos tradicionais, sapateado e castanholas
e, posteriormente, no segundo e terceiro ato, respeita a estrutura
de baile, característica do flamenco puro. “No primeiro ato, são
utilizadas todas as músicas do ballet. Nós tiramos a sapatilha
e colocamos o sapateado”, explica Michel.
“Dom Quixote Flamenco” - que tem direção de Roseli Maidl El Ghezz
- conta a história de um amor impossível. A heroína Kitri e o
pobre barbeiro Basílio são apaixonados, mas a mãe dela deseja
que a jovem case-se com o aristocrata Gamache. Esta é uma mudança
feita pelo Regina Mundi - no ballet original, é o pai de Kitri
que a persegue na tentativa de impedir seu amor pelo barbeiro.
O casal, em fuga, conta com a ajuda de Dom Quixote, que entende
a dimensão daquele amor. Quixote passeia pela trama, sempre às
voltas com suas alucinações. Ele tem visões de Cupido e de Dulcinéia,
a amada ideal que persegue. Num destes instantes de loucura, o
cavaleiro andante confunde Kitri com Dulcinéia.
O personagem acaba ferido num moinho e cai em sono profundo; sua
loucura o faz crer que está vivendo entre belas e encantadas bailaoras.
É neste momento que parte do elenco desenvolve uma coreografia
chamada “Ecos”, que conjuga ballet contemporâneo e flamenco.
Quixote será fundamental para o desfecho feliz de Kitri, vivida
por Tatiane Pratti, com Basílio, interpretado por Michel Cássin.
Segundo ele, a narrativa de amor continua universal e atemporal.
“ ‘Dom Quixote Flamenco’ conta a história típica de como a sociedade
impõe o relacionamento que a família quer. Basílio tem de lutar
o espetáculo inteiro para ficar com ela. Até hoje acontece isso”,
opina.
Michel Cássin participa do Festival de Dança de Londrina desde
quando o evento compunha-se no formato de Mostra Competitiva.
Nas chamadas “Tardes de Dança”, o bailarino - que possui uma escola
em Londrina há 15 anos – mostrava as criações desenvolvidas principalmente
com a dança espanhola. “Era uma forma de todas as escolas de Londrina,
uma vez por mês, apresentarem o seu trabalho no teatro. Eu achava
super interessante, porque era uma maneira de levar ao público
um pouco de arte e divulgar a escola para os alunos”, relembra.
Com 45 anos, o Regina Mundi é a primeira Escola de Ballet de Maringá.
Seus espetáculos já circularam por cidades do Brasil, países latinos
e Estados Unidos. Foi lá que Michel começou seus estudos em dança
e onde hoje é professor.
Serviço: Dom Quixote Flamenco (Balé Regina Mundi – Maringá)
2/out. (domingo)
20h
Teatro Ouro Verde
60 minutos
Ingressos: R$10 e R$5 (meia-entrada)
Promoção – Os 100 primeiros convites ganham uma cortesia Os ingressos também serão vendidos na bilheteria do Teatro
Ouro Verde a partir das 16 horas.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
Em “Tão Próximo”, Quasar Cia
de Dança reafirma sua linguagem, aliando rigor técnico e lirismo.
(Foto: Lu Barcelos)
O afável inferno do outro
Cia Quasar abre neste sábado o 9º Festival
de Dança de Londrina com espetáculo que aborda as diversas configurações
dos relacionamentos
Na noite de abertura do Festival de Dança de Londrina 2011, o
palco do Teatro Ouro Verde estará recoberto por um enorme tapete
de pelúcia branca. O cenário aparentemente delicado e reconfortante
servirá também de arena para o embate dos bailarinos do espetáculo
“Tão Próximo”. A apresentação da Quasar Cia de Dança (GO) dá a
largada para a série de espetáculos da grade artística do Festival
neste sábado (1º out.), às 20 horas.
Sobre o chão macio, o elenco com a pele exposta desenha movimentos
que tratam das proximidades e afastamentos decorrentes do território
limítrofe entre a vida social e o espaço íntimo. Tudo é sensorial
nesta que é a vigésima segunda obra do coreógrafo Henrique Rodovalho,
um dos criadores em dança mais aclamados do Brasil. Sua inspiração
partiu das relações com o outro e do fascínio pelo entendimento
das propriedades dos relacionamentos.
“Tão Próximo” questiona a distância existente entre as pessoas
e até que ponto elas devem estar abertas à ruptura de barreiras.
Egoísmo e altruísmo também entram em discussão quando a aproximação
tanto pode fazer bem quanto mal para o próximo e para nós mesmos.
“No processo criativo, as relações mais óbvias já não me interessavam;
me instigou mais pensar sobre os mistérios e as incertezas”, explica
Rodovalho.
A fisicalidade, que tornou a Quasar Cia de Dança uma das mais
importantes do Brasil, com reconhecimento internacional, está
presente na montagem, sobrepondo-se a conceitos e narrativas.
Todas as movimentações foram criadas a partir das possibilidades
de relação entre os bailarinos, terminando por se consumar no
contato corporal. Na concretização deste conceito, evitaram-se
os solos. “As pessoas estão se tocando o tempo todo em busca de
uma forma de expressão”.
Em cena, Rodovalho apresenta pessoas comuns, modificadas pela
intensidade dos sentimentos que as atravessam à medida que constroem
e desconstroem seus relacionamentos. Segundo o coreógrafo, além
do entendimento sobre as nuances do contato com o outro, o trabalho
também foi estimulado pelos impactos dessa discussão no exercício
da criação coreográfica.
Ele conta que, ao longo de 22 anos, vem concebendo - de forma
autônoma - coreografias que, em seguida, vão encontrando seu lugar
no espetáculo a partir de um trabalho de dramaturgia e de direção
artística. Desta vez, porém, foi diferente: “Como em um plano
sequência, uma coisa foi desenvolvendo a outra e a possibilidade
de continuidade do movimento me interessou muito mais do que a
interrupção”.
O tapete de pelúcia – cenário assinado pelo próprio Rodovalho
– revela, em alguns momentos, objetos que, ao interferirem nas
relações em curso, deflagram, potencializam e expõem emoções.
Essa “pele” onde dançam os bailarinos pode sugerir sensações diversas
como intimidade, conforto, aquecimento, luxúria. O desenho de
luz utiliza o palco totalmente aberto para que determinados focos
possam recortar o espaço e propor ambientes restritos – isto permite
que o público se “aproxime da cena”.
O figurino é de Cássio Brasil, que já vem trabalhando com a companhia
desde 2005 e que, agora, propõe a valorização do corpo um pouco
mais exposto. Ele concebeu uma vestimenta simples e mínima, em
‘pele’ e branco. As cores utilizadas no figurino são suaves para
provocar um maior envolvimento com o cenário.
A trilha sonora traz as batidas eletrônicas criadas pelo alemão
Hendrik Lorenzen especialmente para o espetáculo, além de mixagem
de músicas do repertório de Céu, Naná Vasconcelos, Matmos e Taylor
Deupree.
É a segunda vez que a Quasar Cia de Dança abre o Festival de Dança
de Londrina. Na primeira oportunidade, em 2009, o grupo apresentou
o espetáculo “Só tinha de ser com você”, também concebido por
Henrique Rodovalho.
Serviço: Abertura do 9º Festival de Dança de Londrina
“Tão Próximo” (Quasar Cia de Dança - GO)
1/out. (sábado)
20h
Teatro Ouro Verde
60 minutos
Ingressos: R$10 e R$5 (meia-entrada)
Promoção – Os 100 primeiros convites ganham uma cortesia
Pontos de venda: Escola Municipal de Dança (Rua Souza Naves, 2380
– 3342-2362), Loja Shop Ballet (Rua Pio XII, 64 loja 3 - 3323-4717)
e Loja Capézio (Rua Paranaguá 921 loja, 3 - 3324-6905).
Assessoria
de Imprensa Festival
“Por um fio”, da Mimulus Cia
de Dança, representa o ideário do Festival 2011: qualidade e fusão
de linguagens. (Foto: Guto Muniz)
Londrina é o palco da Dança
9º Festival de Dança começa neste sábado
(1º) reunindo na cidade importantes nomes da cena contemporânea.
Evento também joga luz sobre as produções locais
Diversidade e qualidade. Estes são conceitos que nortearam a seleção
dos espetáculos que integram a Programação Artística do 9º Festival
de Dança de Londrina. De 1º a 6 de outubro, o palco do Teatro
Ouro Verde receberá três das companhias de maior reconhecimento
na dança contemporânea nacional – Quasar (GO), Mimulus (MG) e
Ballet de Londrina.
Ganham espaço ainda os grupos da cidade e da região que possuem
pesquisas notórias nesta arte; destaque para o Ballet Regina Mundi
(Maringá), para o Ballezinho de Londrina e para a Cia L2 (Londrina).
Ao todo, serão seis apresentações, uma performance urbana e uma
Mostra Local em seis dias de programação. Paralelamente, o Festival
oferece a já tradicional Programação Didática, com seis oficinas
relacionadas às diversas vertentes da dança - do ballet clássico
às manifestações étnicas -, e um ciclo de quatro seminários sobre
os principais encenadores do século XX.
O lançamento do Festival 2011 acontece de maneira inédita. Em
algum lugar da cidade e em algum momento ao longo do primeiro
dia do evento, uma multidão formada por trezentas pessoas comuns,
de todas as faixas etárias, interromperá suas atividades para
dançar. Trata-se do “Flash Mob”, uma intervenção artística surpresa
em que um grupo de pessoas aglomera-se para uma apresentação surpresa
e se dispersa rapidamente na sequência. O “Flash Mob” é uma iniciativa
do Centro Social Marista Ir. Acácio (Londrina) em parceria com
projetos sociais e artísticos da cidade. A intervenção anuncia,
de forma inusitada e irreverente, os seis dias dedicados à arte
do movimento.
Programação Artística - No mesmo dia 1º, sábado, às 20 horas,
o Festival abre a programação em grande estilo, com o elogiado
espetáculo “Tão Próximo”, da Quasar Cia de Dança. O grupo de Goiânia
é reconhecido pelas montagens de caráter poético e pela fisicalidade
– linguagem corporal aperfeiçoada pelo coreógrafo Henrique Rodovalho.
Para a apresentação, o palco do Teatro Ouro Verde será recoberto
por uma enorme pelúcia branca, sobre a qual os dançarinos desenharão
seus movimentos - da sutileza do afago à agressividade do embate.
A obra expõe as nuances entre as proximidades e os afastamentos
que configuram a vida social e o espaço íntimo, abordando a relação,
às vezes tão próxima, com o outro.
Na terça-feira (4), sempre às 20 horas, será a vez da Mimulus
Cia de Dança (de Belo Horizonte) mostrar o estilo próprio que
desenvolvem a partir das transmutações da dança de salão. “Por
um fio” é um espetáculo quase ritualístico inspirado na riquíssima
obra do artista plástico Arthur Bispo do Rosário. O emaranhado
de fios, bordados e imagens encontram paralelo no trançado dos
braços, das pernas e dos corpos em movimento. Em cena, fios elétricos,
lâmpadas incandescentes e sucatas interagem com a movimentação
sinuosa dos bailarinos e com os figurinos abertos à experimentação.
É a segunda vez que Quasar e Mimulus apresentam-se no Festival
de Dança de Londrina.
De acordo com os coordenadores do evento, o Ballet de Londrina
completa a tríade de companhias de destaque no cenário contemporâneo
brasileiro, por apresentarem linguagens consolidadas. “A Sagração
da Primavera”, a mais nova criação do grupo londrinense, fecha
o Festival de Dança no dia 6, quinta-feira. A coreografia elaborada
por Leonardo Ramos - presidente de honra do evento - faz uma releitura
da obra centenária de Stravinsky e Nijinsky - considerada um marco
da arte moderna. Com “A Sagração”, a companhia mostra o amadurecimento
do seu estilo, pautado na horizontalidade e na busca de novos
eixos de equilíbrio.
Mesmo com um formato reduzido nesta edição, o Festival de Dança
de Londrina preserva uma característica que conquistou progressivamente
ao longo de seus nove anos de percurso – a diversidade. “Com a
limitação financeira, poderíamos ter optado por vários duos, trios
ou espetáculos menores; preferimos investir em grandes companhias
que, junto com o Ballet de Londrina, simbolizam a dança contemporânea
de qualidade, com pensamento, pesquisa, significação e conteúdo
artístico”, explica Danieli Pereira, coordenadora geral do Festival
de Dança ao lado de Cláudio de Souza.
Nas demais noites, o Festival traz outras produções paranaenses
de relevância. No domingo (2), o palco do Teatro Ouro Verde será
dominado pela tradição e pela força do flamenco. O anfitrião é
o conhecido bailarino Michel Cássin que, com o Ballet Regina Mundi,
de Maringá, apresenta “Dom Quixote”. A montagem usa a plasticidade
e beleza da tradicional dança espanhola para contar a história
do amor impossível entre a heroína Kitri e o pobre barbeiro Basílio.
O casal em fuga é auxiliado pela astúcia de Dom Quixote. Completando
45 anos de trajetória, o Ballet Regina Mundi é considerado a primeira
escola de dança maringaense.
“Móbile – Work in Progress”, do Ballezinho de Londrina, e “Viés”,
da Cia L2 (Londrina) integram a programação do dia 5 de outubro,
quarta-feira. Ambos serão apresentados no Teatro Ouro Verde, às
20 horas. As duas produções de Londrina trazem o corpo significante
como centro de suas discussões estéticas. Em “Móbile”, os jovens
bailarinos exploram uma técnica originária da dança de rua chamada
finger tutting; eles usam principalmente dos braços, mãos e dedos
para a elaboração de formações geométricas, abrindo a percepção
para os mínimos detalhes. Já em “Viés”, dez quadros são encadeados
a partir do conceito da palavra-título – como reinvenção do movimento,
como rompimento da imparcialidade. Será a estréia desta coreografia
desenvolvida dentro em um projeto de pesquisa na Universidade
Estadual de Londrina, com direção de Aguinaldo de Souza.
O Festival de Dança de Londrina tem patrocínio do Governo Federal
- Caixa Econômica Federal e da Prefeitura Municipal de Londrina
– PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). Conta com
apoio institucional da APD (Associação dos Profissionais de Dança
de Londrina), da Universidade Estadual de Londrina e da FUNCART
(Fundação Cultura Artística de Londrina).Apoios: Capézio, Shop
Ballet, Midiograf, College Language Center, Corredor de Dança,
Sanepar, Rádio UEL e site www.conexaodanca.art.br.
Renato
Forin Jr. / Assessoria de Imprensa Festival
Alunos do Centro Social Marista
Ir. Acácio ensaiam para o Flash Mob.(Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança)
Uma cidade a dançar
Flash mob convida Londrina para o 9º Festival de Dança
E se, de repente, uma multidão dispersa em algum ponto de Londrina
começasse a dançar? No sábado, 1º de outubro, a qualquer momento,
os passantes poderão surpreender-se com o acontecimento inusitado.
Trata-se do Flash Mob “De-re-pente”, que lança oficialmente
o Festival de Dança de Londrina 2011.
A intervenção urbana surpresa, organizada por Milene Duenha
e pelo Centro Social Marista Ir. Acácio (Londrina), reúne um
grupo de quase 300 pessoas das mais diversas faixas etárias
e procedências. Além de educandos do Centro Social, a idéia
ganhou parceiros de outros projetos sociais e artísticos da
cidade, e adeptos que souberam da performance por meio de redes
sociais.
O Flash Mob “De-re-pente” tem como objetivo dar as boas vindas
ao Festival de Dança e, por extensão, chamar a atenção para
a presença da arte no cotidiano. A ideia surgiu do interesse
em pesquisar formas de intervenções urbanas diante de discussões
sobre consciência ambiental do projeto “Ambiente, eu no meio”,
desenvolvido com as turmas de Expressão Corporal do Centro Social
Marista.
A performance começou com a criação coletiva de uma coreografia
envolvendo crianças, adolescentes e jovens, e logo contou com
o apoio da turma de hip hop do projeto “A Rua Dança a cidade”,
Troupe Tangará e grupos de capoeira.
Como a intenção era a de envolver um grande número de pessoas,
conforme requer o conceito de Flash Mob, foram feitas divulgações
em mídias sociais, como Facebook e Orkut. Diante da grande adesão,
houve necessidade de organizar a forma de participação de cada
grupo por meio da divisão do trabalho em módulos coreográficos.
A partir desta estratégia, a organizadora Milene Duenha separou
os 300 participantes em blocos. Em nenhum momento realizaram-se
ensaios coletivos no local onde será executada a performance
para preservar o elemento surpresa. Vem daí também o ineditismo
da ação. Os participantes - alguns não ligados necessariamente
à área da dança - dedicaram-se pelo menos um mês aos ensaios
para a concretização do Flash Mob.
Tão rápido quanto entraram na dança, os participantes dispersam-se
após a performance, voltam aos seus afazeres diários. Fica,
no ar, o clima de festa e celebração à arte do movimento que
domina Londrina nos próximos seis dias.
O 9º Festival de Dança segue até quinta-feira (6). As apresentações
acontecem diariamente, às 20 horas, no Teatro Ouro Verde.
Serviço:
De-re-pente (Flash Mob)
Em algum momento do dia 1º de outubro
Em algum lugar de Londrina
Célebre encontro: o diretor
da Mimulus Jomar Mesquita, que trouxe ao Festival espetáculo inspirado
em Arthur Bispo do Rosário, com a professora da UEL Marta Dantas,
uma das maiores pesquisadores da obra de Bispo
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Público confere roupas
especiais para dança antes do espetáculo
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Ediméia Lima e os bailarinos
do Ballet de Londrina Ivo Junior, Glaucia Leite, Alexandro Micale
e Bruna Martins
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
O coreógrafo Henrique
Rodovalho trouxe ao Festival o espetáculo "Tão Próximo",
sua nova criação para a Quasar Cia de Dança
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Alunos da Escola Municipal
de Teatro prestigiaram os espetáculos do Festival
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
No saguão do Teatro Ouro
Verde, as lojas Capézio e Shop Ballet colocaram roupas de dança
em exposição
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Rhaagna Beatriz, Marinah
Lemos, Thaís Daher
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Danieli Pereira, André
Demarchi, Emerson Vila
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Ana Odete Vieira, Cecília
Ocampo, Ilce Colus, Marta Teresa Novais
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Graciela Anobile e Vanessa
Almeida
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
A jornalista Ana Paula
Nascimento com a filha Amanda Nascimento e a mãe Maria Odete da
Silva
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Louise Tenuta, Mariana
Dias, Francine Soares, Fabrício Alves
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Amanda Gaion e Sérgio
Fuji
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
A jornalista Herika Fondazzi
com os amigos Eliandro Reis Tavares, Patrícia Alves e Kátia Hisanitsu
na abertura do Festival de Dança 2011
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Antônio Mariano Júnior
e José Américo Merlini
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Os organizadores do Festival
de Música de Londrina Lilian Almeida e Marco Antônio Almeida junto
com os coordenadores do Festival de Dança Danieli Pereira e Cláudio
de Souza
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Roberta Oliveira, Bruna
Camila, Thainá Rodrigues,
Larissa Chagas, Amanda Carina, Pedro Frizon,
Mariana Miato - alunos da Escola Municipal de Dança, com o professor
Alexandro Micale
Foto: Isabela Figueiredo/Festival
de Dança
Aline Piccelli, Juliana
Martinez, Arnaldo Vaz Junior,
Jefferson Marcel